FÊNIX

“A fênix ou fénix (em grego ϕοῖνιξ) é um pássaro da mitologia grega que quando morria entrava em autocombustão e passado algum tempo renascia das próprias cinzas. Outra característica da fênix é sua força que a faz transportar em vôo cargas muito pesadas.”
Fomos, somos e seremos eternamente uma Fênix...
Nossa vida é um emaranhado de incêndios e de renascimentos, o único problema é o medo que temos deste fogo.
Construímos um ninho, bonito, fortificado, e nele botamos nossos ovos de ouro, nele depositamos todos os nossos ideais...
Ficamos ali, por preciosos momentos, chocando estes sonhos.
Eles nascem, crescem e batem asas, e em um dado momento de nossa vida, tudo isso se transforma
Então, renascemos destas cinzas como a fênix, e se quer olhamos para aquele ninho ainda fumegante, pois se olharmos para trás, perderemos o rumo do novo vôo.
Assim é nossa vida, cheia de encantos e desencantos, e é exatamente isso que a torna tão bela e tão preciosa, somente por isso a vida é tão boa e necessária.
Acredito mesmo que só depois de algumas boas tostadas nos tornaremos aves verdadeiras, destas que podem cultivar um ninho mesmo sem mais botar os ovos, mesmo que neste ninho existam somente as cinzas da antiga ave que já fomos, ainda assim acredito no novo, no inesperado e no inusitado.
Porque então temos tanto medo de mudar o rumo de nossos vôos.
Porque somos tão permissivos com a infelicidade apenas para preservar um ninho seco e cheio de cascas vazias.
Será que nossa natureza de fênix só nos aparece depois que queimamos no fogo da desilusão?
O medo de mudar o que cremos imutável, nos torna escravos de nós mesmos.
Perecemos numa infelicidade absurda e solitária, para fazer brotar em outros, sorrisos de satisfação.
É justo?
É conveniente?
É prático?
Não sei, mas sei que é triste olhar o céu e contemplar dezenas de fênix que conseguiram ressurgir de suas cinzas, que conseguiram se libertar das algemas da mediocridade e alçar um vôo verdadeiro, mesmo que trôpegas, mesmo com as asas quebradas e sem direção, estão lá, tentando permanecer no ar.
E eu fico aqui olhando o céu e maldizendo minha sorte?
Não estaria sendo justa comigo.
Sacolejo este pó acinzentado que suja minha asa desbravadora, fecho os olhos e me lanço em um vôo louco que ninguém pode impedir.
Meu renascimento.